Histórico como piloto
e construtor de carros de corrida reforça identificação do piloto com a torcida
argentina
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| O próprio Pedro Muffato competiu durante várias temporadas com o chassi Muffatão na Fórmula 2 |
A
temporada 2012 do Campeonato Sul-Americano de Fórmula Truck chega ao fim neste
domingo (9), com a quarta e última etapa em Córdoba. E, mesmo havendo um piloto
argentino no grid – Luiz Pucci, da ABF/Volvo –, já se verifica a identificação
dos torcedores argentinos com outro piloto confirmado no grid do GP ZF
Astronic. Trata-se de Pedro Muffato, paranaense que pilota o Scania número 20
de sua própria equipe, a Muffatão.
Muffato disputou corridas na Argentina por 25 anos, de forma contínua. A fase
mais evidente começou na Fórmula 2 nacional, que no início da década de 80 foi
transformada na F-2 Codasur e depois, em 1987, no Sul-Americano de Fórmula 3.
Ele também criou vínculo com o automobilismo argentino nos anos 80, época em
que implicações legais na importação de carros de corrida traziam dificuldades
aos pilotos brasileiros.
“Nós tínhamos esse problema e resolvi tentar uma solução para isso”, recorda o
piloto, que à época viajou à Argentina e acertou uma parceria com Oreste Berta,
preparador de carros e motores de competição considerado um “mago” da atividade
– a base de operações de Berta está justamente em Alta Gracia, na província de
Córdoba, onde está localizado o Autódromo Oscar Cabalén, palco da corrida deste
domingo da Fórmula Truck.
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| Muffato com os integrantes de sua equipe acompanhando a construção do carro Muffatão, no início dos anos 80 |
“Acertei com o Berta e mandei meus mecânicos para Alta Gracia. Eles ficaram lá
45 dias, aprendendo a produzir, soldar, alinhar, a montar um carro de corridas.
Aí o Oreste me forneceu o gabarito e começamos a montar os carros no Brasil, no
fundo da minha empresa”, recorda Muffato. Os chassis produzidos pela equipe do
piloto paranaense e utilizados por dezenas de competidores de todo o país foram
batizados como “Muffatão”.
A estreia do protótipo Muffatão aconteceu justamente no Autódromo Oscar
Cabalén, no primeiro semestre de 1981. “A estreia do carro no Brasil só
aconteceu alguns meses depois, em agosto, em Cascavel. O Berta veio para cá
para supervisionar o trabalho. O carro era Berta, motor Berta e construção
Muffatão. Foi um sucesso, cheguei a vender mais de 30 carros, e esse sucesso se
deveu à genialidade do Oreste Berta”, atribui.
Esse carro praticamente monopolizou o grid da F-2 Codasur, até que a importação
foi liberada pelo governo brasileiro, permitindo a chegada dos Ralt ingleses e
dos Dallara italianos. “A parceria foi importante para o crescimento do
automobilismo argentino e brasileiro. Havia a rivalidade natural entre os
pilotos, mas isso ficava em segundo plano diante da consciência de todos de que
era importante trabalhar para fortalecer a categoria”, frisa Muffato.
Piloto da Truck desde o ano 2000, Pedro Muffato deixa-se levar pela nostalgia
quando recorda sua atuação junto aos argentinos. “Lá se vão mais de três
décadas. Vou procurar o Berta em Alta Gracia e dar um abraço forte nele, vou
convidá-lo para à corrida, vai ser o meu convidado especial”, planeja. “E é
sempre ótimo voltar a correr na Argentina. O clima lá é especial, a atmosfera
do automobilismo por lá é especialmente saudável”, atribui.
Grelak Comunicação


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